terça-feira, 19 de julho de 2011

O Henrique

O Henrique está bem e recomenda-se. Anda numa fase muito engraçada, com muitas expressões de gente crescida. Há dias fez uma asneira daquelas e eu controlei-me para não me descontrolar e passei quase uma hora a dizer "Henrique, agora ficas no teu quarto para não nos zangarmos", sem lhe olhar bem nos olhos, e ele saia e eu repetia a lengalenga. De repente, chega ao pé de mim e diz "Afinal mamã, o que é que se passa? Porque é que estás assim comigo?" Se eu não estivesse danada com ele até me tinha rido do seu ar disfarçado, mas na altura não estava para aí voltada.
Temos tido alguns episódios de birras, infelizmente, e confesso que já foi mais fácil dar-lhe a volta. Mas depois é doce e muito bem disposto.
Adora a escola. Fala muito de todos os colegas e de todas as pessoas que com ele "trabalham". Lá, sente-se em casa, e eu também... Eles são os primos, os tios e os avós que ele não tem por perto, e não podíamos ter encontrado melhor família alargada. Sei que este espaço que o ajudou a crescer vai fazer-lhe muita falta para o ano e confesso, estou ansiosa com a mudança. Mas ele é um menino sociável e vai acabar por encontrar o seu espaço no novo grupo.
Já sabe "ler" alguns dos livros de que mais gosta (decorou as histórias e gosta muito de as contar) e tem muita expressividade. Imita muito bem expressões de filmes e recria cenas. Está numa fase virada para o espectáculo e adora ter público para fazer as suas macacadas. A irmã é uma das suas fãs e ri de tudo o que ele faz (o que o deixa especialmente vaidoso).
Sei que sente falta de algum tempo só para ele com os pais e eu (nós) também sinto muito. Tenho que fazer um esforço maior para que estes momentos sejam possíveis, agora que a mana está mais crescida e já não está tão dependente de mim.
É o meu filho mais velho, lindo de morrer, e apesar de todas as birras (que me deixam com vontade sei lá do quê) tenho um orgulho enorme no menino que estou a ver crescer porque sei que é um grande menino. 

Mudanças

E a poucos dias de completar 9 meses, a Luísa iniciou o desmame. Para já, substituímos só a refeição da manhã e continua a mamar à noite, mas a ideia é terminar mais cedo ou mais tarde. Ao terceiro dia, pega bem no biberão mas não bebe os 180 ml que lhe preparo e ontem agarrou-se mesmo à maminha e eu não a contrariei. Quero que tudo aconteça devagar, sem grande stress.
Foi uma decisão muito ponderada mas ainda assim está a custar-me um pouco (grande), não só fisicamente (o corpo ainda se está a adaptar), como psicologicamente (apesar de continuar a dar à noite, sei que é o início do fim de uma fase). É como se perdesse uma das minhas funções. Mas tem que ser, para bem de todos, acho.

terça-feira, 28 de junho de 2011

8 meses de Luísa

Infelizmente não entrou nos 8 meses da melhor forma. Este fim-de-semana teve episódios de febre e anda muito rabugenta e irritada. Desde Sexta-feira que dorme (dormimos) muito mal. Baba imenso e agarra tudo o que pode para por na boca. Cheira-me a novos dentes, vamos ver.

Ontem tivemos consulta com a pediatra e, de um modo geral, estava bem. Apesar da febre nos dias anteriores, só tinha a garganta um pouco vermelha, mas nada de alarmante. Cheira-me que vamos assistir a desenvolvimentos menos positivos nos próximos dias. De resto, aumentou umas modestas 300 gr. (está com 7.900 Kg) e cresceu 1 cm (69 cm). Não há alterações a introduzir no que respeita à sua alimentação. Continua a mamar de manhã e à noite, come sopa nas duas refeições principais (uma com carne) e alterna entre papa e iogurte com fruta ao lanche.

No que respeita ao desenvolvimento a nível motor, são de registar algumas conquistas:

- Levanta-se sozinha na cama, agarrada às grades e aguenta-se nessa posição muito tempo (adora ficar de janela);

- Passa bem da posição de sentada para a de deitada e fica em posição de gatinhar, mas ainda se arrasta pouco;

- Rebola muito;

- Guincha muito quando o Henrique se chega para ao pé dela porque é quase certo que lhe vai tirar aquilo com que está a brincar;

- Como não bebe nada bem água quando está na ama, comprei ontem chá de ervas que ela aceitou muito bem;

- Come muito bem 2 a 3 conchas de sopa ao almoço e jantar, seguidas de fruta (estes últimos dias, por acaso, não foram disso exemplo)

- É uma menina muito sorridente e simpática mas quando está com sono faz umas birras de sair da frente;

- Adora bolachas (é a minha monstra das bolachas) e não pode ver sequer o pacote que fica toda desorientada;

- Palra muito e já vai desenvolvendo as suas conversas.

- É uma menina bebé doce e muito melada que adora beijinhos.

Custa muito vê-la assim num estado que não é o seu normal. Esperemos que não seja nada de especial.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Legislativas 2011

Sabe que "o Chico perdeu e o Passos Coelho ganhou". E remata-se com "às vezes perdemos".

Durante a campanha dizia que "Sócatis" era mau e sabia de cor as músicas e frases entoadas nos comícios.
Ilustrou estes dias assim:

Mesmo sem ter noção do que estava em causa, envolveu-se nos eventos a que o levámos e participou à sua maneira. 
Nós vamos continuar a fazer o nosso papel que é trazê-lo a participar naquilo em que acreditamos, mostrar-lhe que a mudança é possível e só depende de nós. Ideologias à parte, espero que daqui a uns anos se revele um cidadão activo porque é disto que a nossa sociedade precisa.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

7 meses

E a barrinha ali ao lado indica o 7º "mêsversario" da Luísa. Vou usar a frase batida “o tempo está a passar depressa demais”, pois é um facto. Aliás, passa sempre quando estão em causa coisas de que gostamos muito e que nos dão muito prazer. Aí o tempo nunca é suficiente para as saborearmos. Mas o que eu sinto acima de tudo é que a sua presença nas nossas vidas é tão forte que parece que sempre fomos quatro. Já tinha essa sensação com o Henrique. Era-me difícil lembrar os tempos em que  éramos só dois. Tentava lembrar-me de como ocupávamos o tempo, o que é que orientava o nosso dia quando não havia fraldas e papas para dar e não era fácil. Agora com a Luísa acontece-me o mesmo. Mas com o Henrique sentia que ainda não estávamos completos e agora já não sinto isso. Sinto que já estamos todos.
 A Luísa é uma bebé muito doce e ternurenta. Adora fazer-nos festinhas e adora ser tocada e acarinhada. Gosta dos apertos que lhe damos e ri-se toda derretida. Adora dançar, com o pai sobretudo. Tem uma paixão enorme por ele, irradia luz quando o vê chegar a casa. Diverte-se muito com o irmão mas não gosta que ele exagere nos mimos (vulgo, apertões) que lhe dá. Nisso é muito “menina”, começa a sentir-se incomodada e a guinchar como que a pedir ajuda.
É simpática com as pessoas, no geral. É de riso fácil, aliás tem um riso contagiante, agora já não desdentado, o que lhe dá uma certa piada. Mas também chora quando alguém menos familiar lhe pega ao colo. Acho que é mais desconfiada do que o irmão, que era mais dado. Reclama muito a nossa presença, não gosta nada que a deixemos sozinha no quarto ou na sala. Contudo, já se vai entretendo cada vez mais com as suas coisas. Senta-se com muita segurança e dobra-se toda para apanhar algum objecto que esteja mais distante.
Come muito bem, felizmente. Continua a mamar de manhã, à noite e quando lhe apetece. Acho que cada vez gosta mais e é mais determinada. Ao lanche, durante a semana, come papa feita com o meu leite e iogurte com fruta, em dias alternados. Ao fim de semana mama e às vezes come meio iogurte ou uma bolacha. Almoça e janta sopa, uma com carne, outra de legumes, e fruta. Continua a dormir a noite toda. Vou dar-lhe de mamar por volta das nove e meia, hora a que ela começa a pedir cama, e ela adormece e fica até ao outro dia. Agora tem acordado mais cedo, por volta das sete e meia, porque tem um irmão madrugador que não a deixa dormir. Este é um dos motivos que nos anda a fazer adiar a ida dela para o quarto do irmão, ela dorme melhor do que ele e nós não queremos deixar de ter noites relativamente tranquilas. Mas mais dia, menos dia vai ter que acontecer.
No que respeita à saúde, tem andado muito bem, apesar de, há duas semanas, ter tido uma tosse chata que nos levou a recorrer à ginástica respiratória. Em quatro sessões ficou limpinha e espero que assim continue por mais algum tempo. Apesar de ser o segundo filho (ou filha) sou muito mais insegura com ela, no que respeita ao seu estado de saúde, do que fui com o Henrique. Acho que ainda me lembro bem demais dos dias em que esteve internada e o medo de que se repita é muito grande. Espero que passe depressa… vai passar.
Não sei se sou melhor mãe para ela do que fui para o Henrique nos seus primeiros meses. Em tempos achei que não, por ser mais insegura. Agora acho que sou apenas mais mãe, uma mãe mais completa, muito mais feliz e cada vez mais certa do seu papel. O desafio nos próximos tempos é trabalhar um pouco mais nos outros papéis que tenho que desempenhar, nomeadamente, no papel de mulher e no papel de companheira que têm ficado um pouco esquecidos. Procurar o equilíbrio necessário é por vezes muito difícil, mas acho que nisto o tempo é um bom aliado.

terça-feira, 24 de maio de 2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

terça-feira, 17 de maio de 2011

E depois do primeiro dente...

O segundo dente, descoberto esta manhã novamente pela mãe (e da pior maneira, pois claro).
Apesar de os médicos dizerem que os dentes não provocam doenças, o certo é que eles (pelo menos os meus) ficam sempre ou constipados, ou com tosse ou com outras coisas menos boas (o Henrique tinha otites). No caso da Luísa, foi a tosse que se manifestou, o que nos levou a recorrer à ginástica respiratória para evitar que a coisa evoluísse para algo pior.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O 1º dente

Foi descoberto pela mãe no Sábado, dia 7 de Maio. Com cerca de seis meses e meio, a Luísa foi mais precoce do que o irmão em matéria de dentes.
Como é muito espertinha, a menina, já começou a morder a mãe. Esta manhã deixou-me mesmo magoada. Tenho que lhe dizer que se isto continua, a maminha acaba. Esperemos que não seja preciso ser tão radical.
Outra novidade, é que a Luísa já se senta sozinha durante uns bons bocados. Quando arrisca ir buscar alguma coisa que esteja mais longe, cai e fica em posição de gatinhar.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Selecção musical

O Henrique tem, neste momento, duas músicas de eleição: A canção dos abraços, do Sérgio Godinho, e a Rita (Catita), da Ana Faria. É delicioso vêlo cantar a segunda porque articula a letra toda na perfeição, aprendeu na escola. Quanto à primeira, fica agarradinho a nós a dar-nos um abraço e a cantar. E que bem que sabe.

Consulta e nova dieta

Sexta-feira fomos à consulta dos seis meses. Estava tudo muito bem, não fosse o estetoscópio ter detectado umas porcarias nos brônquios. Tenho pânico destas doenças respiratórias que se desenvolvem de uma forma tão silenciosa. Então penso eu que a miúda está bem, nem tosse tem, quando afinal não é bem assim. Estivemos a fazer vapores até ontem e ela tossia bastante depois de cada sessão. Hoje parece-me mais limpinha.
De resto, os pesos e medidas estão bem, e vai iniciar uma nova dieta. Continua a mamar de manhã e à noite, ao almoço e ao jantar faz sopa e fruta, uma das sopas com carne, e ao lanche, durante a semana, come papa feita com o meu leite (ao fim de semana mama).
Ontem fomos às vacinas e ela nem uma lágrima deitou. Ficava com uma cara assustada mas acabava sempre por rir. É uma corajosa!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Amamentação

Quando a Luísa nasceu, tinha muita vontade de a amamentar. Tinha já a experiência do Henrique que foi boa, sem dores nem peito gretado, mas curta. Com a mania de que só estava a engordar o mínimo, comecei a dar-lhe suplemento com cerca de 1 mês e depois só mamou até aos três porque às tantas rejeitou a mama. Desta vez estava preparada para ignorar, dentro do possível a balança e confiar nos meus instintos. Depois de sair da maternidade, foi pesada com 15 dias, na pediatra e com um mês, novamente na consulta. Nada de balanças de farmácia ou do centro de saúde. Engordou um Kg ao fim do primeiro mês e eu fiquei toda satisfeita e confiante de que a amamentação era para continuar em exclusivo. Uns dias depois foi internada e como estava com dificuldades respiratórias, tinha que tirar leite com a bomba para lhe dar no biberão. Ela bebia bem e até não perdeu muito peso, mas o meu estado nervoso foi tão grande que quase fiquei sem leite. No dia em que tivémos alta, quando cheguei a casa, parecia não ter leite nenhum. Fiquei bastante triste mas lá fui comprar uma lata de LA e comecei a suplementar algumas mamadas. Comecei a procurar informação sobre formas de aumentar a produção de leite e percebi que o melhor mesmo era dar-lhe de mamar o mais possível, sem restrições. Chegava a mamar de meia em meia hora e claro que eu tive que ouvir muitas vezes "se calhar o teu leite não a satisfaz porque ela já está com fome" ou "que estranho, a maior parte dos bebés mama de duas em duas ou três em três horas". Eu ignorava e ia-lhe dando suplemento, sempre que necessário. Ao fim de cerca de dez dias, o leite voltou a subir e voltei a ter o suficiente para amamentá-la sem suplementos. Como aos dois meses começou a dormir a noite completa, eu acordava a meio da noite para tirar leite, sempre a pensar que podia vir a precisar dele para dar como suplemento. Mas o certo é que não precisei. Usei-o depois para lhe dar no biberão, quando estava com os dois sozinha, e uso agora para deixar na ama para ela lanchar.
Com o tempo fui ficando cada vez mais segura de que estava a correr bem e a gostar cada vez mais de amamentar. O regresso ao trabalho (há um mês atrás) implicou algumas mudanças como ter que lhe dar mama de manhã quando eu estou disponível, o que pode não coincidir com a hora dela. Mas não tem corrido mal. Aos seis meses faz, durante a semana, três refeições com o meu leite, uma de papa e uma de sopa e fruta. Devemos deixar agora a papa e passar a duas de sopa. Ao fim de semana temos regime livre e não somos tão rigorosos com as refeições de colher. A pediatra quer introduzir o iogurte ao lanche, mas eu vou manter as coisas assim até acabar o leite que tenho congelado.
De resto, vou aproveitando bem estes momentos só nossos até que ela deixe de querer ou até eu deixar de lhe poder dar. Já valeu a muito a pena e eu sinto-me muito bem por não ter desistido à primeira contrariedade.

Saber perder

O Henrique gosta muito de jogar na Wii e o seu jogo preferido é o jogo das espadas do Wii sport resort. Nós não nos importamos que o faça com peso e medida, o problema é que ele não sabe perder. Fica irritado com os bonecos que ganham e chega mesmo a chorar de raiva. Nesse momento, pára o jogo!
O pai entretanto conversou com ele e disse-lhe que perder faz parte do jogo e que às vezes perdemos. A conversa parece ter resultado porque ontem a postura dele já foi diferente. Quando perdia repetia vezes seguidas "não faz mal, às vezes perdemos, não é? não é, mamã? às vezes perdemos (nas palavras dele é mais, pademos)." Repetia-o tantas vezes como se precisasse de se convencer daquilo e foi para a cama a repetir a frase "às vezes perdemos, não é mamã?". Fiquei orgulhosa do meu filho porque sei que custa a todos admitir esta tão grande verdade, quanto mais a um menino de 3 anos. 

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A Luísa

Se escrevesse este post há uns dois meses atrás o seu conteúdo seria totalmente diferente. A Luísa passou de uma bebé muito chorona, berrona mesmo, daquelas que nos deixa sem saber o que fazer, para uma bebé calma, bem disposta e sorridente, quase de um dia para o outro. A verdade é que a nossa memória tem coisas fantásticas pois permite-nos esquecer coisas que nos traumatizam, permite-nos substituir memórias menos boas por outras melhores, como se se tratasse de substiruir uma versão de um documento por outra. Foi isto que me aconteceu com a Luísa. Já (quase) nem me lembro dos seus berros que a deixavam toda vermelha e ao irmão tão nervoso (coitadinho), sem saber o que fazer (nem eu sabia o que fazer, quanto mais ele).
A mudança propriamente dita aconteceu em férias. Apanhou-se de perna de fora todos os dias a toda a hora e foi começar a vê-la dormitar durante o dia (não dormia nada durante o dia e ainda hoje dorme pouco), rir constantemente para nós e senti-la tranquila e bem disposta. Adorou o mar, a piscina, o sol e acho que estes elementos mudaram para sempre a sua vida.
De resto, está crescida e desenvolvida, já a querer sentar-se. Fala imenso conosco e dá aqueles guinchos deliciosos quando não lhe prestamos atenção. Adoooraaa o irmão e ri com tudo o que ele faz, mesmo quando ele é brutinho com ela (e quem tem filhos sabe que não há coisa melhor do que vê-los juntos a brincar). Come bem, bastante bem, até. Mama de manhã, almoça papa (por enquanto), lancha leite meu que deixo na ama, janta sopa e fruta e mama antes de dormir. Quando estou com ela o dia todo não tenho regras e deixo-a mamar quando quer.
Faz uma coisa que eu pensava ser mito: dorme a noite toda, desde os dois meses. Eu juro que quando as pessoas diziam "ah, e tal, o meu filho dorme a noite toda", eu pensava "já deve ter dormido uma noite ou outra". Mas não! É, de facto, possível! A Luísa dorme a noite toda desde os dois meses e desde então foram raríssimas as noites em que acordou durante a noite. E nós ficamos completamente baralhados (e muito aborrecidos) quando isto acontece, quando na verdade ainda temos um de três anos que tem sonos muito instáveis.
A Luísa é a nossa bebé menina lá de casa, a nossa princesa que veio transformar a nossa vida como eu já não imaginava que pudesse acontecer depois de um primeiro filho.

O Henrique

O Henrique, por ser o mais velho, vai ser o primeiro de quem vou falar.
Está um miúdo giro e bem disposto, mas com um feitio cada vez mais torto. É teimoso como uma mula e responde-nos tantas vezes que não que às vezes o chamamos "Henrique não", ao que ele responde, "não é Henrique não, é só Henrique". Mas, "no privado", é o menino mais doce. Diz "tenho saudades tuas, mamã", logo de manhã, e dá-me beijos como se não nos víssemos há muito tempo. Acorda com as galinhas e entra-nos no quarto a dizer coisas do género: "dormiste bem? O henrique acodou bem disposto!"
Do alto dos seus três aninhos, já é muito autónomo, despe-se e descalça-se sozinho, mas gosta muito que o ajudem a comer (na escola já não o faz há muito). É grande e bem pesado com um metro de altura e 16 Kg que custam a carregar mas a quem não podemos negar colo porque afinal de contas não passa de um bebé, o nosso bebé mais velho. 
Estes meses foram e estão a ser complicados para ele. Passámos muito tempo sozinhos os três, o que fez com que, muitas vezes, lhe pedisse para esperar quando me pedia para brincar ou quando queria de alguma coisa, por ter a irmã a chorar ou a precisar de algo. Nos primeiros dois meses, respirava fundo antes de o ir buscar ao colégio porque sabia que até à hora do jantar, quando o pai chegava, tudo podia acontecer. O tapete da sala foi inúmeras vezes molhado por xixi porque ele escolhia precisamente a hora das mamadas para pedir para ir à casa de banho. Como sabia que eu não podia interromper o que estava a fazer dizia "mamã, vou fazer aqui!" e fazia. Ponderei muitas vezes deixar de amamentar por causa destas situações e cheguei mesmo a tirar leite de propósito para dar à Luísa em pelo menos uma das mamadas em que estava sozinha com os dois. Foi uma boa solução, ela comia mais depressa e ele não se sentia tão enciumado. 
Enfim, muitas soluções foram pensadas e postas em prática para tentar minimizar os efeitos de uma bebé em casa, mas sei que não foram suficientes. Sofreu com toda esta mudança, apesar dos nossos esforços para que isso não acontecesse. Tenho pena, por isso. Mas tenho a certeza de que hoje é imensamente feliz e, tal como nós, já não saberia viver sem a sua "mana uísa".

Não consigo resumir os últimos meses

É impossível resumir os últimos (cerca de) 5 meses. Foram tão intensos que nenhum resumo lhes seria fiel. Por outro lado, há coisas que felizmente fui esquecendo.

Foram, sem dúvida os meses mais desafiantes da minha vida. Os meses em que ri mais, em que chorei mais, em que tive a certeza de que a vida constrói-se de momentos felizes e outros menos, mas é nossa obrigação saborear os primeiros e neles encontrar forças para ultrapassar os segundos. Aprendi também (e continuo a aprender) que as relações pessoais se constroem todos os dias, com paciência, com amor, com dedicação, com respeito. Que há fases da nossa vida em que devemos abrir-nos mais aos outros, ao que eles têm para nos oferecer, para partilhar. Que todos saímos mais fortes e mais ricos quando damos e recebemos e quando nos ouvimos. Aprendi que há pessoas que estão sempre lá e de quem às vezes não nos lembramos, e pessoas que gostávamos que estivessem, mas nunca vão estar como nós queríamos. E há que aceitar ambas as situações, chama-se gerir expectativas para não nos desiludirmos.

Em relação à dupla maternidade, percebi que não tenho remédio. Procuro e sempre procurarei ser suficientemente autónoma de modo a precisar o mínimo possível da ajuda de terceiros. E isto não é um defeito, sou eu. E tenho todo o direito de ser assim, desde que não prejudique os meus filhos. E só assim me sinto segura e à altura da responsabilidade.

Este blog merece que eu regresse

Pois merece.

Porque já me permitiu viver muitas alegrias. Porque através dele descobri muitas pessoas que são amigas, apesar de nunca nos termos visto. Porque os meus filhos vão adorar conhecê-lo mais tarde, ter acesso ao registo factual dos seus primeiros anos, mas também à forma como eu, mãe, os vivi e senti.

Um único motivo me levou a deixar este espaço ao abandono durante tantos meses: não aceitar a ideia de que as pessoas próximas se servissem (muitas vezes exclusivamente) do blog para saber de nós. Por isso não é para elas que eu escrevo. É para mim, é para eles e é para todos os amigos que fizemos aqui.

domingo, 5 de dezembro de 2010

O parto

Fartei-me de dizer que desta vez queria um parto programado. Não gosto muito de imprevistos sobretudo quando o Henrique esta envolvido e, neste sentido, preferia planear tudo com calma, deixar tudo organizado em casa e ir descansada ter a criança. O médico concordava, mas só a partir das 39 semanas. Quis o destino que as 38 semanas e 4 dias, numa consulta de referencia na MAC, uma medica simpática, ao tentar descolar-me a membrana, me rebentasse as aguas. E vai dai, já não pude sair dali, fiquei logo internada as 16 e picos do dia 25 Outubro. Fiquei chateada com a Sra. Dra., para não dizer outra coisa, porque para alem de não ter deixado muitas coisas organizadas, sabia que todo o processo ia ser muito mais demorado. O marido foi buscar o filho ao colégio, a mãe foi lá para case e eu instalei-me no quarto número 10. O marido trouxe o pc pois a espera adivinhava-se longa. Por volta das nove, depois de jantar, comecei a sentir as primeiras contracções. O soro milagroso veio umas duas horas depois e "bateu forte". As duas estava com 3 para 4 dedos de dilatação e as três ram-me a epidural. Fiquei no céu... Mas por pouco tempo. Antes das quatro já me contorcia novamente com dores e em 15 minutos estava a desesperar porque senti que a miúda ia mesmo sair. A equipa demorou mais tempo do que eu esperava, para mim demorou uma eternidade. As 4:32 nascia a Luisa, linda e a berrar imenso. Teve apgar 10 ao primeiro minuto.
As duas horas em que fiquei no recobro e em que ficamos os dois a admirar a nossa menina foram deliciosas. Há momentos que saboreei mais desta vez por já saber serem tão especiais, este foi um deles. Olhar para os olhos dos nossos filhos pela primeira vez, sentir-lhes o cheiro, a primeira vez que lhes damos de mamar... Aquelas duas primeiras horas são fantásticas.
No dia seguinte estava ansiosa com a chegada do Henrique. Por coincidência fiquei exactamente no mesmo quarto e na mesma cama de há dois anos atras. O Henrique chegou a dormir e deitei-o na cama. O meu bebe de há dois anos cresceu tanto tanto. Tive pela primeira vez a certeza de que já não e sim tão bebe, e um bebe-menino. Quando acordou perguntei se queria conhecer a Irma. Quando a viu soltou um "oh Luisa!", que e como quem diz "chegaste, já estas aqui!". Tudo correu melhor do que o esperado, pelo menos nos primeiros dias. No geral ressentiu-se um pouco, como seria de esperar, mas nada de anormal, acho. Mas este tema fica para outro post.
Os primeiros dias em casa foram passados a 4 como nos queríamos. Isso foi muito importante para nos. Desde aí a nossa vida tem sido uma roda viva. Confesso que não tinha previsto uma mudança tão brusca. Os meus fins de tarde, com os dois sozinha, são hilariantes. Aí vejo que tenho dois bebes. Mas nada que não se controle, contando muitas vezes ate 10. A calma e descontração que temos com um segundo filho fazem milagres na gestão das aventuras do dia a dia.
Enfim, ando de rastos mas feliz. Quer dizer, agora um pouco angustiada por ter uma bebe doente e o outro em casa. Mas também este desafio vamos ultrapassar com sucesso, mais cedo ou mais tarde. A minha menina e muito forte.

Nem sei por onde começar

Quando estamos tanto tempo sem escrever, ainda por cima numa fase destas em que a minha vida mudou tanto, e difícil saber por onde começar.
A escrita deste post afigura-se difícil, não só pelo motivo acima enunciado, mas também por estar a utilizar um daqueles brinquedos que a Apple lançou recentemente e que o marido insistiu em deixar comigo esta noite para eu ter com que me enterter.
Parece que foi preciso a minha filhota ficar doente para eu ter tempo para actualizar o blog e para falar um pouco dela e da alegria que trouxe as nossas vidas. A Luisa esta desde a passada Quarta feira internada na Estefânia com uma bronquiolite. O seu estado tem melhorado muito mas tem sido dias difíceis, como podem imaginar, por ela e pelo Henrique que não percebe muito bem porque e que a Irma e a mãe saíram de casa há uns dias e ainda não voltaram. Deste episódio não falo mais, só quando terminar, talvez. Esperamos que o fim esteja para breve.

Ps: a falta de assentos deve-se a minha inexperiência com o aparelho

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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Estamos cá




Estas últimas semanas têm sido alucinantes. Ando muito cansada mas imagens como estas mostram que tudo vale a pena.