sábado, 29 de outubro de 2011

Há um ano atrás

A Luísa passava a sua primeira noite em casa. Lembro-me tão bem de ter ido adormecer o Henrique e ter ficado com ele a dormir. As saudades que eu tinha dele. E na primeira noite em casa tive pela primeira vez a sensação de que agora já estamos todos.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Há um ano atrás, parte III

E para fechar esta série de posts a recordar os melhores momentos de há um ano atrás, lembro aquelas horas mágicas, as primeiras horas deles connosco, em que os observamos, os descobrimos pela primeira vez. São únicas, tão especiais. Parece que o tempo para e nós ficamos ali, a contemplar a sua beleza, os seus movimentos simples e delicados, a cheirá-los... ah, e como fica gravado aquele cheiro no nosso coração! São horas que não se repetem e que devíamos poder guardar num cofre para poder viver mais uma vez. Guardo as primeiras horas do Henrique e da Luísa como as melhores horas da minha vida. 

Parabéns Luísa

E por volta das 4:30 do dia 26 de Outubro de 2010, nascia a Luísa. Linda, linda!
Muitos Parabéns filha!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Há um ano atrás, parte II

Acho que mais ou menos por volta desta hora (21h), juntaram-me oxitocina ao soro, para ber se a coisa acelerava um pouco. Quando o pai voltou do jantar já eu começava a sentir um ligeiro desconforto.
Fiquei bem até cerca da meia noite, com dores suportáveis. A partir daí comecei a ter ontracções mais fortes ( muito mais fortes) e menos espaçadas. Pedi a bendita epidural, o pai saiu do quarto e por volta da uma da manhã aplicaram-me o líquido mágico. Do Henrique também levei epidural, mas já tarde, nem senti os seus efeitos para falar a verdade. Quando a médica acabou de a aplicar e pediu para eu me deitar, já ele tava a sair, mesmo. Desta vez foi diferente, tudo foi diferente. Aplicada a epidural, eu comecei a sentir os us efeitos e relaxei, até pensei que ia ter tempo para dormir uma vez que as médicas continuavam a dizer que era para demorar. Enganei-me. Cerca de uma hora depois a anestesia deixou de fazer efeito e aí sim começaram as dores a sério, aquelas que já me eram familiares de há dois anos atrás. Deviam ser quase três horas. Da hora e meia que se seguiu eu não tenho grandes memórias. Talvez o meu marido tenha, pois estava de fora a assistir, sentado num pequeno banco em que mal cabia. Um dia desafio-o a vir aqui descrever o parto visto da perspectiva de quem está a assistir.

Há um ano atrás

O dia acordava cinzento. Já estava farta de esperar e acordei com um mau humor terrível. Por volta desta hora alguém tocava insistentemente à minha porta e eu, que estava sem vontade nenhuma de sair da cama, lá me arrastei a custo para a abrir. Era a minha irmã, também muito grávida, na altura.

Tinha consulta na MAC por volta das 13, por isso aproveitei para me levantar e ir adiantar algumas coisas (roupa, jantar) para não ter que as fazer mais tarde, já com o Henrique em casa.

Já na consulta, por volta das 15, a médica, ao tentar descolar-me a membrana, rebentou-me a bolsa (médica novinha, ficou em êxtase porque era a primeira vez que lhe acontecia...). Eu não achei piada nenhuma. Já não podia voltar a casa, já não podia ir buscar o Henrique... Não tinha planeado assim o meu dia.
 
De certa forma não estava preparada. Desta vez, com um bebé em casa, queria que tudo corresse conforme planeado. E eu tinha um plano, e aquela médica a rebentar-me a bolsa não estava no meu plano. Chorei, nervosa. Tive que pedir ajuda porque precisava que alguém fosse ter com o meu filho para que ele não se sentisse triste, porque eu não o tinha avisado de que tinha chegado o dia.
 
Dei entrada na Maternidade, atribuiram-me um quarto e perguntaram-me se não tinha ninguém para ficar com as minhas coisas. Não! O pai da criança estava com quem realmente precisava dele, a outra criança. Apesar da sua insistência, pedi-lhe que não viesse, que fosse buscar o Henrique à escola e ficasse com ele o máximo de tempo possível. Eu estava bem, à espera. Fizeram-me assinar um termo de responsabilidade porque não podiam ficar com os meus objectos pessoais sem mais. Pediram desculpa mas já tinha acontecido terem reclamado por causa de umas cuecas desaparecidas e desde então, as grávidas que não estão acompanhadas, têm sempre que assinar o dito papel a desresponsabilizar a MAC por qualquer perda ocorrida. Eu na boa... tinha todo o tempo para assinar aquele e outros papéis porque, ao contrário do que tinha planeado, a médica rebentou-me a bolsa e eu não podia fazer mais nada senão esperar.
 
O pai chegou mais tarde, já depois de dar banho e jantar ao outro filho que entretanto ficou com a minha mãe, em casa, no seu espaço, como eu planeei. Não queria que ele tivesse que sair de casa. Queria que as suas rotinas se mantivessem, dentro do que era possível. Nessa altura era ele a minha principal preocupação. Era com o seu bem estar que eu estava preocupada. Ela estava bem, ainda cá dentro, protegida pelas águas que a médica tinha feito o favor de rebentar, contrariando todo o meu plano de parto.
 
Os médicos diziam que "a coisa" estava demorada. Tem aqui umas boas 12 horas pela frente, dizia uma. A bebé está muito subida.
 
O pai saiu por volta das 21, acho, para jantar. Eu, tranquila, sem dores, à espera, estava esfomeada e pedi também que me trouxessem jantar. Comi tudo. Precisava de ganhar força para as horas que se seguiam.