"Meio: Ponto situado numa posição equidistante das extremidades, ou do princípio e do fim; metade de um todo.”
Chegámos a meio. Estamos entre o início e o fim, entre um ponto em que ainda não sabíamos que já crescia dentro de mim, um grão de arroz, uma semente, o nosso filho, e outro em que o teremos nos braços, em que ele será para sempre uma parte do nosso dia a dia.
Entretanto, no meio, pensamos no que vai significar esta mudança. Como vai ser a nossa vida a partir do nascimento do Henrique? Como vão ser os nossos dias, as nossas noites… (ai as noites…)? Como vai ser a nossa vida a dois? Continuará a poder falar-se de vida a dois ou será definitivamente a três? Confesso que os meus maiores receios passam por este ponto, a vida a dois. O “nós os dois” é o início de tudo, é aqui que tudo começa, é a base, é o alicerce. O “nós os dois” tem que ser cultivado com a mesma atenção com que foi até aqui, só assim o resto faz sentido, só assim o que vem depois terá condições para crescer também. Acho que não estamos preparados para receber o que aí vem, estamos a preparar-nos. E acredito que este processo de preparação não termine nunca, vamo-nos preparando diariamente para reagir ao que de novo vai surgindo. É assim que vejo as coisas, para já.
Estou feliz, muito feliz. Com um enorme friozinho na barriga (e com cócegas também porque agora o Henrique faz festa a toda a hora) e com muita vontade de continuar a caminhar na segunda metade deste caminho que me levará até à outra extremidade, até ao fim, o início da nova vida.